15.3.11

Literatura

         
visita ao museu da língua portuguesa-Carlos Drumond de Andrade-
Poesia concreta: uma poesia para ser lida e sentida. O que poderia dizer um texto tão concreto? Seria mesmo um poema? Ou seria apenas um jogo de palavras? 

Ler esse poema ou qualquer outro, concreto ou não, apenas para ser entendido, não é o suficiente. Por outro lado, fazer sua mera análise gramatical é assassiná-lo. O poema cria sua própria gramática. Transmite a qualidade de um sentimento. Mesmo quando parece estar veiculando idéias, ele está é transmitindo a qualidade do sentimento dessa idéia. Uma idéia para ser sentida e não apenas explicada.

Muito tempo antes, no século XIX, o poeta francês Mallarmé, primeiro antecedente de uma poesia visual, já dizia que a poesia é para poucos, não deve ser ensinada nas escolas. Segundo ele, a poesia é arte, e o povo não entende nada de arte.  A maioria das pessoas, até mesmo nas escolas, lê poesia como se fosse prosa. A maioria quer “conteúdos”, mas não percebe formas. Talvez seja essa uma das causas do descrédito ainda maior que tem os poemas concretos, pois nestes, a mensagem está na forma, tomada como construção verbal.

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